SERGIO DA PAREDÃO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO RURAL DE RONDÔNIA, ESTÁ FORAGIDO
Presidente da Associação Rural de Rondônia, com sede no Parque de Exposições Hermínio Victorelli, de Ji Paranã, RO, SERGIO SUSSUMU SUGANUMA, o “Serginho Paredão”, ou “Sérgio Japonês”, organizador da Expo-Jipa, está foragido desde segunda feira dia 14 de setembro.
Neste dia foi decretada a prisão
preventiva dele e de outros três acusados, responsabilizados pelas duas mortes de jovens sem terra
e três intentos de homicídio, ocorridos em 31 de janeiro de 2016 na Fazenda
Tucumã, na Linha 114 de Cujubim RO, município situado a 222 km. de Porto Velho.
Serginho do Paredão é assim
conhecido por ser um dos proprietários da Fazenda Paredão, situada no Vale do
Anari, e detentor de uma área disputada conhecida com o mesmo nome, no Distrito do Quinto
BEC, em Machadinho do Oeste.
Neste local houve também a morte
de duas lideranças sem terra, Gilberto Thiago Brandão (+25/02/2012) e Ercias
Martins de Paula (01/03/2012), nunca esclarecidas. No local, o grileiro perdeu a disputa da terra pública, que foi judicialmente reconhecida para o INCRA,
apesar de Sérgio ter tido como advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro investigado
na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
No caso da Fazenda Tucumã, segundo
o Ministério Público, SERGIO SUSSUMU SUGANUMA junto ao empresário e suposto proprietário,
PAULO IWAKAMI, intermediou dentro do Parque da Expo-Jipa, a contratação por $R 105.000
de outros dois réus, o SARGENTO MOISÉS FERREIRA DE SOUZA e o pistoleiro RIVALDO DE SOUZA. Deles seria o armamento pesado apreendido numa camionete na sede da Fazenda
Tucumã, no dia 01 de fevereiro de 2016.
Ainda foi ordenada a prisão preventiva do Cabo da Polícia Militar de Rondônia, JONAS AUGUSTO DOS SANTOS SILVA. Este seria o coordenador duma equipe miliciana formado pelos soldados Policiais Militares ALTARCICIO DOMEINGUES DOS SANTOS (Domingues), MARCOS JOSÉ TERÊNCIO (Terencio), DONIZETE SILVA DE NASCIMENTO (Donizete), PAULO DIEGO DE CASTRO FRANCISCO (Paulo).
Sempre segundo as acusações do Ministério Público, esta equipe de policiais seria diretamente responsável
pela detenção de Alysson Henrique de Sá Lopes (Bá), que apareceu no dia
seguinte carbonizado dentro do carro do pai dele, em frente da fazenda.
Na época, três equipes de milicianos "da pesada" perseguiram Alysson e outros quatro
sem terra durante um dia e uma noite inteira. Eles foram descobertos após terem regressado
para recolher alguns pertences ao Acampamento Terra Nossa, que tinha sido
objeto de reintegração de posse poucos dias antes. Após serem vistos e atirados pelas milícias contratadas por PAULO IWAKAMI, eles foram objeto de uma
verdadeira caçada humana. Um deles foi atingido de raspão e outros dois conseguiram
escapar. Mas o jovem Ruan Lucas Hildebrant de Aguiar, nunca mais foi
encontrado, sendo sua morte declarada judicialmente.
Na Linha C-114 de Cujubim, em 30
de junho de 2015, já tinha sido assassinado Cloves
de Souza Palma (sem apuração). E posteriormente as duas mortes e três intentos de homicídio agoa julgadas, numerosas testemunhas e membros do Acampamento
Terra Nossa foram também assassinados em 2017, numa verdadeira
caçada de testemunhas, que obrigou a acolher em programas de proteção a familiares das vítimas e algumas das principais testemunhas dos fatos.
Após mais de dez anos dos crimes
acontecidos em 2016 e após terem sido presos preventivamente e condenados em tribunaldo júri em 15 de agosto de 2017, que foi posteriormente anulado. Quatro dos acusados pronunciados para
o tribunal foram presos novamente agora em Ariquemes, tendo tumultuado a realização do juízoe as defesas abandonar o mesmo.
Após o juízo do Massacre de Corumbiara, este é um dos únicos e o mais importante julgamento em Rondônia do assassinato de agricultores e agricultoras vítimas de violência no campo no Estado, que entre 2012 e 2025 suma 110 vítimas de assassinatos por conflitos agrários registradas pela Comissão Pastoral da Terra. A imensa maioria deles permanecem na impunidade.

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